Butokukai S A | Associação Butokukai de Karatê de Santo Antônio

KATA

Kata Sochin

Parece certo que a maioria dos kata teve origem na China e migraram para Okinawa juntamente com as delegações chinesas que representavam o governo chinês na ilha uma vez que a cultura Chinesa sempre foi muito fértil ao lidar com a transmissão de sistemas de combate através de sequências de movimentos predeterminados que deveriam ser repetidos para desenvolvimento das qualidades físicas para domínio de determinada técnica de luta ou técnica de respiração…
Os Kata, assim, representam o que o livro representa para a cultura de um modo geral: um marco, um ponto de consulta em torno do qual a habilidade se desenvolve, mas que não tem sentido em si mesmo e foram criados para conter as técnicas de combate de um determinado Mestre ou grupo de Mestres de determinada escola.
Todos os praticantes de karate-do sentem-se diante dos kata como um aluno que sabe ler diante de uma biblioteca, se o que o move é a busca do aperfeiçoamento, ele tem a sede de procurar aprender aquelas técnicas novas.
É, junto com as graduações e a hierarquia, outro ponto importante na presença da tradição japonesa dentro do Karatê, pois o ocidental é avesso ao pensamento das formas estanques, preferindo regras gerais a sistemas fechados aos quais se rebela pela sua própria formação cientificista, não concebendo no que a repetição de uma sequência de movimentos poderia ter mais efeito que um trabalho específico de musculação e condicionamento por exemplo.
Mas os Mestres que inventaram os kata cultivavam o físico também e eram exímios ginastas, e, ao codificar os kata estavam ensinando que sabiam que a ginástica pura e simples não consegue motivar ninguém por muito tempo.
Os diferentes kata definem os estilos de Karatê, sendo que cada um deles tem os seus, embora, no dizer do Mestre Funakoshi na sua biografia, muitos estilos existem só porque um determinado professor não tinha habilidade para executar um kata de um modo e entendia que deveria ser de outro modo (que ele conseguia…) só reconhecendo 4 estilos principais (nem o seu ele reconhecia, por sabê-lo ter sido criado a partir de uma mescla de outros).
Os Kata são meio importante de se definir o nível de um praticante de Karate-do, pois se define o karateca por treinar os kata regularmente, se define o nível que se encontra pela habilidade que demonstre no treinamento de kata específicos de acordo com sua graduação.
Os vários Mestres não são unânimes a este respeito sobre quais kata pertenceriam a cada nível, mas o certo é que existem estas gradações e cada escola pode refletir e criar seu próprio pensamento neste sentido.

Os seguintes elementos devem ser verificados na prática do kata:

1- Conhecimento sobre o kata, sua história e objetivos;

2- A sequencia correta de movimentos e as aplicações possíveis de cada movimento;

3- A correta aplicação da força muscular (KIME);

4- A correta respiração (IBUKI);

5- O ritmo adequado dos movimentos;

6- A aplicação correta do KIAI;

7- A firmeza nas bases;

8- A reserva de espírito (ZANCHIN).

  1. Sequência

Quando dizemos sequência, nos referimos à memorização dos movimentos do Kata; sua direções, a utilização das formas corretamente, chutes e socos, etc. Isso requer um grande trabalho de memorização, para que seu corpo repita o movimento sem ter que pensar antes.

  1. Respiração

Respiração correta é extremamente importante. Sem ela, o aluno ficará cansado e seus movimentos serão mais lentos e com menos força, após um certo tempo. A respiração correta, além de aumentar a força e a velocidade, ajuda na concentração do corpo e da mente.

  1. Combinações e tempo

Combinação refere-se a um grupo de movimentos no Kata. Com a combinação, o Kata deixa de ser uma monótona sequência de movimentos, para uma série de movimentos, representando diferentes situações de luta. Tempo, separa as diferentes combinações, com pausas e diferentes velocidades. São esses dois itens que dão vida ao Kata.

  1. Forma e significado

O item “forma” significa aplicar posições perfeitas em todo o Kata. Posições correta das mãos é necessário para a execução perfeita das defesas, chutes e socos. O corpo também necessita estar perpendicular ao chão, com os ombros relaxados, e expressão alerta.
Para termos a forma correta, é preciso estar sempre sendo corrigido, pelos outros e por si próprio. Significado: quando estiver praticando Kata, o aluno precisa saber para que serve cada movimento, e aplicá-lo com convicção.

  1. Olhos

Há dois significados para esse aspecto. Primeiro, no Kata, deve-se olhar para só depois se mover. Se isso não é feito, o movimento é executado mecanicamente. Na teoria, se alguém não olha, como pode saber em que direção se mover, e que golpe aplicar?
O outro, significa que o praticante deve ter “olhos de tigre”, um olhar que “pode matar”. Esse aspecto é muito importante para o Kata, pois um olhar forte, significa grande concentração. Sem esse elemento, o Kata torna-se morto. Olhar forte, pode afetar psicologicamente o oponente.

Importante destacar que não é a quantidade de kata que se sabe que define o verdadeiro karateca, mas o quanto se domina cada um deles. Não faço apologia da ignorância e aconselho que se conheça a sequência do máximo de kata possível, mas que, ao mesmo tempo, se treine intensamente todos os dias cada um deles que for possível de modo a ter sempre progresso.
Muitos alunos entendem que devem aprender sempre algo novo e se admiramos esta postura, entendemos que é perigosa se o entendimento do aluno for apenas a busca de novidade para se motivar, pois há cerca de 53 kata só (os demais são variações deles); mas pode ser proveitosa se for instrumentação pessoal para o crescimento organizado depois…
Há professores que querem controlar todo o aprendizado de seus alunos neste sentido e outros que os deixam mais livres neste sentido, independente disto o importante é estar treinando porque o Karatê não é um esporte teórico que se deve entender, mas prático e se deve principalmente fazer.
Sobre quando treinar um kata é importante destacar que a execução de um kata amadurece com o tempo, porque é só depois que as dificuldades técnicas foram superadas é que a mente consegue espelhar o chamado espírito do kata e dar “vida” a ele, como no teatro que, só depois que se decorar a peça e que se pode trabalhar a interpretação propriamente dita.
No nosso entender, o karateca deve dar primazia ao estudo e prática dos kata. Deve aprender os tudimentos da luta sim, mas enfatizar o estudo e prática dos kata, pois, depois, quando for faixa preta, é o conhecimento dos kata que vão diferenciá-lo de professores de outras artes marciais e mesmo de outros professores de Karatê.

Bloqueio, soco, golpe e chute – as técnicas fundamentais do Karatê – são combinadas de uma maneira lógica nos kata, os exercícios formais. Desde os tempos antigos, os vários kata constituem o núcleo do Karatê, tendo sido desenvolvidos e aperfeiçoados pelos antigos mestres através do treinamento e da experiência.
Os kata, cerca de cinquenta dos quais chegaram até os dias de hoje, podem ser divididos a grosso modo em dois grupos. De um lado, estão os que são aparentemente simples, mas também exibem grandeza, compostura e dignidade. Através da prática desse tipo de kata, o karateka pode desenvolver seu físico, fortalecendo seus ossos e forjar músculos vigoroso.
O outro grupo é sugerido pelo vôo da andorinha e é apropriado para a aquisição de reflexos rápidos e movimentos ágeis.
A execução de cada kata, isto é, os movimentos de pernas, faz-se acompanhada de uma predeterminada linha de atuação (embusen). Apesar de a pessoa praticar sem um adversário visível, ela deve ter em mente a presença de inimigos vindos das quatro direções – ou das oito direções – e a possibilidade de mudar a linha de atuação.
Como os kata contem todos os elementos essenciais para se exercitar todo o corpo, eles são ideais para esse propósito. Praticando sozinho ou em grupo, qualquer um pode seguir este Caminho, de acordo com o seu nível de capacitação e independentemente da idade.
É através desses exercícios formais que o karateka pode aprender a arte da autodefesa, possibilitando-lhe enfrentar uma situação perigosa com naturalidade e desembaraço. Mas o grau de habilidade é o fator determinante.
As características dos kata são:

  1. Para cada kata, o numero de movimentos é fixado (vinte, quarenta, etc.). Eles tem de ser executados na ordem correta.
  2. O primeiro movimento e o último movimento do kata tem de ser executados no mesmo ponto da linha de atuação. A linha de atuação tem formas variadas, dependendo do kata, como linha reta, na forma da letra T, da letra I, na forma de um asterisco(*) e assim por diante.
  3. Há kata que precisam ser aprendidos e outros que são opcionais. Os primeiros são os cinco kata HEIAN e os três kata TEKKI. Os últimos são: BASSAI, KANKU, EMPI, HANGETSU, JITTE, GANKAKU E JION. Os outros kata são: MEIKYO, CHINTE, NIJUSHIHO, GOJUSHIHO, SOCHIN, JIIN, UNSO, WANKAN.
  • Para executar dinamicamente um kata, três regras devem ser lembradas e observadas:
  • O uso correto da força;
  • A velocidade do movimento, rápido ou lento;
  • A expansão e contração do corpo.
  • A beleza, a força e o ritmo do kata dependem desses três fatores.
  • No inicio e término do kata, a pessoa faz uma inclinação. Isso faz parte do kata. Ao fazer sucessivos exercícios de kata, inclina-se no começo e ao terminar o último kata.
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